quarta-feira, 7 de abril de 2010

Morreste-me


"Dizia nunca esquecerei, e lembro-me. (...) Como eu, esperavam; não a morte, que nós, seres incautos, fechamos-lhe sempre os olhos na esperança pálida de que, se não a virmos, ela não nos verá. (...) E menti-te. Disse aquilo em que não acreditava... Disse vamos voltar para casa, pai... (...) Doía-me a vida que em ti se negava. (...) como se alguma coisa te pudesse devolver os dias. (...) E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. (...) desse silêncio que calaste. (...) Lembro o que ensinaste, o que aprendi. (...) Vou. Avanço, avanço e regresso. E cada quilómetro, um mês; e cada metro, um dia. Avanço para o que fomos. Encontrei nas pedras deste caminho, no luminescente desta viagem, um espaço por onde entrei e acelero, onde cada quilómetro em frente é um mês que recuo. (...) Há os instantes que vivemos mil vezes juntos e que agora nascem sem nós e nos ultrapassam. (...) E espeta-se-me no peito nunca mais te poder ouvir ver tocar. Pai, onde estiveres, dorme agora. (...) Descansa pai. Ficou o teu sorriso no que não esqueço, ficaste todo em mim. Pai. Nunca esquecerei." José Luis Peixoto - Morreste-me

domingo, 5 de julho de 2009

Momentos

Enrosco-me no momento como se fosse para sempre.
Porque cada momento é que tem vida e tudo o resto não existe.
Sinto-me como o poeta da natureza, que sente em vez de pensar.
É como se no meu corpo houvesse sensores, que denunciam cada momento em sensações.
E tudo o que quero é que venha o momento. Não um momento que se torna simplesmente inesquecivel mas que se transforma e cresce noutro momento ainda melhor.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

TRAZ-TE A TI



Dá-me sede
Dá-me voz
Dá-me algo que te prenda

Traz-me sono
Traz-te a ti
Traz-me algo, estou sem tempo

Faz-me fraco
Faz-me rir
Faz algo mais que fugir

Traz-me medo
Traz-te a ti
Traz-me algo, estou sem tempo

E quando estou contigo és quem me faz parar de respirar
E quando estás comigo és tudo o que há em mim
Quero-te assim

Quero-te só pra mim
Quero-te só pra mim


Quero-te só pra mim...

Pedro Khima - " Dá-me sede"

domingo, 17 de maio de 2009

What does this mean?

Remember those walls I built
Well Baby they're tumbling down
And they didn't even put up a fight
They didn't even make a sound

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Mudar


Porque tenho medo de escrever? Pensando sempre naqueles que vão ler.

Quando deixarei de ter medo que aqueles que leem o que escrevo, estejam a interpretar e a querer apenas saber da minha vida... descobrir podres para poderem falar e contar de boca em boca. Assim não consigo... porque quando escrevo, escrevo o que sinto, e tento não o fazer para que a minha vida não seja um livro aberto que qualquer um leia e interprete à sua maneira. O que normalmente é quase sempre isso que acontece. Quando haverá no mundo bondade e confiança nas pessoas? Quando deixarei de ter medo que usem o que escrevo para fazer mal?

Quando é que terei vontade de escrever o que sei, o que aprendi, o que tenho para dar, sem que estes o usem com maldade? Faço parte da minuria que quer mudar o mundo! Gostava de mudar corações, vidas, sentimentos, comportamentos,... com o meu coração, com a minha vida, com os meus sentimentos, com os meus comportamentos,...


Marta Cadilhe

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Follow your heart


domingo, 8 de junho de 2008

Tira a mão do queixo

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar

E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar


Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Jorge Palma

sábado, 7 de junho de 2008

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe

Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo
Levará você de mim

Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste

Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar

Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer

Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

Vinícius de Moraes

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Bilhete invisivel

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
Enfim,
Tem de ser bem devagarinho, Amada,
Que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Mário Quintana