sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
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domingo, 24 de fevereiro de 2008
Para quê?!
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!
Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão! ...
Beijos de amor! Pra quê?! ... Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!
Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta! ...
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17:02
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sábado, 23 de fevereiro de 2008
Te amo quando não te amo
Saberás que não te amo e que te amoa palavra é uma asa do silêncio,
Amo-te para começar a amar-te,
O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Pablo Neruda
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
Amiga
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Beija-mas bem!...Que fantasia louca
Os beijos que sonhei pra minha boca!...
Florbela Espanca
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Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
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sábado, 16 de fevereiro de 2008
A vida
É vão o amor, o ódio, ou o desdémInútil o desejo e o sentimento...
Florbela Espanca
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Em busca do amor

"Pela estrada da Vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás-de encontrar."
Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas de meu sonho desfiando...
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando...
Mesmo a um velho eu perguntei:
"Velhinho,Viste o Amor acaso em teu caminho?
"E o velho estremeceu... olhou... e riu...
Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos p'ra trás desanimados...
E eu paro a murmurar: "Ninguém o viu!..."
Florbela Espanca
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O meu amor
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele inteira fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
E me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
Chico Buarque
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domingo, 20 de janeiro de 2008
Guardador de Rebanhos XXI
Nem tudo é dias de sol,
O que é preciso é ser-se natural e calmo
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Alberto Caeiro
Fortemente ligado á natureza, Alberto Caeiro recusa saber do passado e do futuro, pois tal acto levá-lo-á a 'atraiçoá-lo'. Não existindo, para Caeiro, nem passado nem futuro, é natural que este se encontre perdido, duvidando do seu próprio eu.
"Caeiro limita-se a existir, tendo nos lábios o sorriso que se atribui em verso às coisas inanimadas e belas, só porque nos agradam - um sorriso de existir e não de nos falar!"
Diz “pensem que sou uma cousa natural”, pois vê-se como um simples elemento da natureza, “um animal humano que a natureza produziu”.
Homem de visão ingénua e instintiva, defende que os órgãos dos sentidos são os canalizadores de todas as percepções.
O autor de “O guardador de rebanhos” considera-se “antimetafísico” (só acredita no que vê), recusa-se a interpretar o real recorrendo à inteligência, porque esse tipo de interpretação reduz “as coisas a simples conceitos vazios” não vê as coisas senão como elas se apresentam. “As coisas são o único sentido oculto das coisas”.
É considerado o mestre, por ter conseguido escrever trinta e tantos poemas a fio.
A sua poesia é, de facto, sensacionista, pois privilegia as sensações como a única verdade do mundo, em oposição ao pensamento. Diz “Pensar incómoda como andar á chuva”, e ainda “pensar é estar doente dos olhos”.
Para ele, a criança é o símbolo supremo da vida, querendo desaprender o quanto lhe foi convencionalmente imposto, “raspar a tinta com que [lhe] pintaram os sentidos”. Vê as coisas como uma criança: “nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo”.
Em suma, uma arte de ser, inteiramente desligado dos valores culturais, pretendeu, sobretudo, ser.
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